Por que não vem me ver?
Eu quero te abraçar.
Preciso de você pra mim.

Los Hermanos. (via perigeu)

A culpa não foi minha, cara, eu juro. Ela que bateu o pé do nada e começou a colocar a roupa, eu fiquei sem entender. Estava tudo bem e de um segundo pro outro ”BUMMM”, ela surtou. Não consigo entender, isso deve ser coisa de mulher mesmo, mulher é tudo complicada ― pensei. Ela colocou a roupa mas não sabia nem onde estava a chave de casa, do carro e muito menos a da porta, eu que ajudei a procurar. Dei um suspiro ― meio assustado ainda com a mudança de opinião que ela tinha tão rapidamente ― e vi ela saindo pela porta. Logo de cara me virei e coloquei a cara no sofá decepcionado com o que tinha acabado de acontecer. E de repente, meu amigo, vejo aquela calcinha fio dental rosa que ela estava usando e ”IRRRRRRRÁ” ― logo comemorei. Deitei no sofá dando um sorriso pro teto pensando que ela não seria capaz de ir embora sem calcinha, deve ter sido aquela pressa toda, mas ela ia voltar com certeza. Fiquei esperando. Cinco minutos e nada…dez minutos e nada…quinze minutos e eu já estava ficando impaciente…vinte minutos eu já nem esperava mais, quando logo tocou a campainha: DIN DON ― perguntei quem era. Logo ouvi aquela voz submissa dizendo ”sou eu, de novo, beiro”. Não sei porque ela me chamou de ”beiro”, aquela foi a primeira vez e eu nem tive tempo de perguntar, logo abri a porta e lá estava ela linda como sempre. Não se passou três segundos! Ela não disse ”oi” nem ”tudo bem” ou ”como vai?”, ela apenas perguntou: ”Onde está minha calcinha?” ― Bem calma. Eu já não surpreso dei uma de desentendido, com uma cara de maluco respondi: ”Oi? que calcinha? não sei do que você está falando Catarina” ― admito que deu uma vontade de rir, mas eu me segurei. Então ela disse: ”Mentiroso. Você nunca me chama de Catarina, te peguei. Pode me falar aonde está Vinicius! Eu não estou brincando” ― Bem nessa hora soltei o riso, não aguentei. Mas oras, impossível que ela me conheça tanto assim. Deixei ela lá com a porta aberta mesmo e saí correndo pro quarto, a cama estava toda bagunçada mas não pensei duas vezes. Era o único jeito. Fiquei deitado na cama e fingi que não escutava enquanto ela chamava, ”Bine?”, ”Beiro?”, ”Moreno?” e nada. Num instante ela fechou a porta, deixou a bolsa no chão e começou a vim em direção ao quarto ― eu escutava cada passo delicado que ela dava, e por incrível que pareça eu achava lindo o modo como ela caminhava. Quando ela estava chegando bem perto, me atirei feito um louco e cerquei-a nos meus braços, naquele momento tudo ficou em câmera lenta, ela me olhava nos olhos e eu olhava para os dela louco pra poder ser o seu mundo. ― se já não era e não sabia.Logo depois da cercada de urso, ela surpresa, pergunta: ”O que foi isso beiro?”, e eu que nem sabia direito o que era mesmo que tinha acabado de acontecer, respondi: ”Sei lá lina só queria que você não fosse embora, acho que você devia ficar mais, mais umas horinhas, mais um dia, ma…maama…mais o tempo inteiro.” ― Então ficou um silêncio. Porra, quem diabos fica em silêncio depois de receber uma cantada bonitinha dessas? ― pensei. Então ela saiu dos meus braços e perguntou: ”Onde está minha calcinha beiro? é serio” ― Pensei de novo: ”Quem é que fica calada depois de uma cantada bonitinha dessas e depois resolve ir embora?”. Então respondi: ”Toma lina, desculpa a brincadeira de mal gosto, pode ir embora se quiser. Desculpa mesmo.” ― Respondi meio triste com a cabeça abaixada mas o que esperava mesmo era aquelas cenas de filme onde a mulher coloca a mão na boca do rapaz e joga ele na cama e então começa a putaria. Então ela pegou meu rosto e minhas expectativas já começaram a se superar novamente, mas esperei pela reação dela mesmo. Então ela disse: ”Não quero ir embora, só perguntei aonde estava pra eu poder vestir depois, porque agora não vou vestir nada”. ― Rapaz, nessa hora ela tirou a roupa e me jogou na cama, e então o que eu esperava começou a acontecer mesmo. Depois disso não lembro de mais nada, me deu um branco dessa cena, deve ter sido boa demais pra se lembrar atoa assim, acredito eu. Só me lembro de quando acordei com um sono pesado ainda, olhei pro lado e vi roupa jogado por todo o quarto, olhei pro outro e vi ela dormindo. ― Ah, ela dormia tão linda. Eu sabia que ela tinha um sono bem mais pesado que o meu, mas não que ela dormia daquele jeito, tão linda, com aquele cabelo jogado na cara e aquele lençol mal coberto. Nesse momento eu não tinha dúvidas nenhuma de que a mulher que eu queria pra minha vida era ela, pensei na hora que as mulheres são complicadas mas que isso faz parte delas, e que eu queria ela de todo jeito, complicada ou mais complicada ainda desde que eu pudesse tê-lá até o último dia da minha vida. ― Sentei na cama e fiquei olhando ela dormir, daquele jeito linda, bagunçada e sem roupa. ― Pensei: O amor é mesmo complicado, precisa de alguns mal entendidos de vez em quando pra que tudo fique realmente bem.

Apartamento 010 . (via judiadora)

Cansada, mas não o tipo de cansaço que o sono conserta.

Deixe a Neve Cair.   (via defeiitos)

A gente ia ser feliz, a gente ia ser um do outro, a gente ia … ia… ia… E não foi.

Cidades de Papel. (via pronuncio)

Nasci para administrar o à-toa, o em vão, o inútil. Pertenço de fazer imagens. Opero por semelhanças. Retiro semelhanças de pessoas com árvores, de pessoas com rãs, de pessoas com pedras, etc. Retiro semelhanças de árvores comigo. Não tenho habilidade pra clarezas. Preciso de obter sabedoria vegetal. (Sabedoria vegetal é receber com naturalidade uma rã no talo). E quando esteja apropriado para pedra, terei também sabedoria mineral.

Manoel de Barros.     (via animicida)

Não sou interessante pra todos, e nem almejo ser. Me contento com o desprezo de muitos e o amor de alguns.

Sean Wilhelm.    (via perigeu)

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